lado a lado

Caminhamos juntos, em paralelo como se um fio invisível nos ligasse de alguma forma. Separa-nos uma distância física enorme que se reduz muito rapidamente quando o diálogo aparece, quando as relações se começam a tornar mais próximas, quando dizemos ‘até já’ e não, ‘até um dia’.

No meio de todo o reboliço de dúvidas diárias e de vidas em suspenso, há lugares que possibilitam uma paragem, uma reflexão, um questionamento.

O tempo é, actualmente, tão rápido e de emergência que não permite uma implicação maior das pessoas nos processos. Mas não permite? Ou não nos permitem? Ou não nos deixam permitir? Ou não nos permitimos a isso? Dúvidas que vão ecoando e ressoando e permanecendo…

Vão-nos fazendo ficar presos a preocupações que apesar de parecerem, à partida, pequenas se transformam em monstros grandes, enormes, cheios de força e assustadores. Ficamos aí, presos como as estacas presas ao chão para suportar os pés de videiras nos campos. Ficamos parados, imóveis, presos a alguma coisa que não queremos porque não nos deixam caminhar um movimento lento. Fizeram um trabalho tão bem feito que cada indivíduo passou a ser apenas mais um indivíduo na engrenagem do relógio sem sequer se aperceber que seria esmagado por essa mesma engrenagem, por não ter ou por ter perdido os laços que o ligavam a um colectivo maior. Que não era só um, individual, eram muitos. Foram muitos. Mas os muitos que se desfizeram num só começam a ganhar uma nova forma. Aos poucos e num tempo muito, muito lento as situações começam a desmanchar-se e a desmistificar-se. Ganham outra força. A situação de cada um individualmente começa a tornar-se mais igual à do outro. Já não é um. Começam a ser muitos. Já não é só um passo, são muitos os passos que se vão multiplicando. Começam a tornar-se muitos.

Paralelamente fazem o mesmo caminho sem sequer saberem que existem numa outra coordenada. As histórias repetem-se de um modo semelhante em espaços afastados. E repetem-se, repetem-se, repetem-se como se os erros não servissem para avançar mas sim para recuar. E neste recuo, a força ganha outra intensidade, outra capacidade de ir avançando.

Ana

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