Encenações e fotografias vazias

Transitar entre diferentes espaços dá-nos a possibilidade de olhar para outros cenários. São cenários pois o que por lá se passa são encenações. Encenações de vida. Encenações de bem-estar. Encenações de cenários perfeitos. À partida, os cenários são belos e provocam emoções prazeirosas. Contudo, muitas vezes, estes cenários são de grande violência. São duros e causam estranheza.

As ruas estão cheias de gente bonita. As lojas são de luxo (super-luxo). Todas as praças estão repletas de pessoas. Os flashes disparam a cada segundo mesmo que não se possa fotografar. Quer-se reter numa imagem o que se sente naquele lugar. Como se isso fosse possível! E a máquina continua em disparos sucedâneos. Não se vê o que está ali na frente, olha-se por um pequeno ecrã para o que está ali na frente e dispara-se. É curioso olhar para este movimento. Chega-se ao lugar e fotografa-se. Só isso e vai-se para outro monumento, para outro lugar ‘importante’ marcado no mapa, mesmo que não se saiba o que é ou se interessa ver. O que interessa é ir ver tudo o que os guias referem. Ir aos lugares mais visitados. Andar em rebanho sem pensar muito e seguir guias que têm esponjas de banho coloridas presas no guarda-chuva que levantam no ar para serem reconhecidos. Só a cor é que varia: azul, amarelo, laranja, verde, rosa… De resto são todos iguais. Os percursos são os mesmos. Os locais a visitar são os mesmos. As histórias contadas são as mesmas. Nada muda. Turismo de massa é o que lhe chamam. Mais uma vez, modelos que se replicam e replicam e replicam…

E os habitantes destas cidades? Onde andam? Como convivem com esta imensidão de gente que invade os seus lugares? Os monumentos ‘sofrem’ com o número de pessoas que os visitam e por isso muitas vezes até se reduzem o número das suas visitas. E as pessoas? Não sofrem com tanta gente em seu redor? Não precisarão elas também de uma redução de visitas?

Ana

Roma, Setembro

One comment

  1. sofia

    querida ana
    não sei se será uma restrição de visitas mas intuo que fazer uma ressintonizaçãonuma presença não predadora abriria outro espaço de respiração
    abracinho demorado
    sofia

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