o vaso

contou-me que quando tinha 16 anos achava a vida muito monótona, que se sentia preparado para grandes feitos e que acordar, seguir a cadência de cada dia, lhe parecia mesmo entediante. que tinha que haver mais que isso. que alguma coisa tinha que lhe acontecer.

então passeava pela rua encostadinho aos muros a ver se lhe caía um vaso na cabeça.

o vaso

aqui em lagos a luz já segreda outono, a brilhancia branca e intensa de agosto vai dando lugar à suavidade dourada, o mar hoje está encaracolado, vento de levante, cigarras,maré vazia, água em espelho antes de chegar às ondas.enquanto escrevo alguém lá fora canta à guitarra ainda na noite de ontem.

doçura, estendimento, entendimento, infinitude

ontem estivemos os dois sentadinhos ao por do sol abanando as pernas no muro enquanto os barcos íam chegando das voltas, o mar às ondas, o deus não dorme…amarelos,brancos, azuis com uma risca vermelha…todos diferentes e todos acarinhados pela mesma membrana de eternidade, os cabelos muito brancos a virarem-se no vento, as pernas a abanar descalças, um cigarrinho…só este que vai deixar de fumar…não vai com certeza mas talvez vá fumando menos, fuma desde os 13, aos 16 espera o vaso aos 78 é poesia viva

sofia

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