metáfora?

Metáfora do movimento, é o que cada vez mais vejo que não é. No estudo e prática que agora tenho estado a fazer no laboratório corpo-acontecimento com a sofia, tenho clareado mais esta questão. Já algumas vezes me tinha deparado com ela mas o apuramento tem-me confrontado com a evidência que no estudo do corpo aquando me aparece outros movimentos que se dizem similares aos movimentos que fazem os planetas, as árvores, a água e tudo que se vê e pressente, torna-se perceptível, para mim, que quando digo o deslizar das faxias, por exemplo, experiencio o deslizar da crosta terrestre, experiencio o deslizar, que mesmo sendo deslizar não é a mesma coisa no deslizar no meu corpo e no deslizar da crosta terrestre, mas é o movimento deslizar. Assim quando apercebo-me que no acumular nas glândulas sebáceas suor, é o mesmo movimento de acumular nas bolsas magmáticas que estouram vulcões na crosta terrestre e que estouram em borbulhas de acne na minha pele. Estes exemplos são incontáveis, ao experienciar isto no meu corpo e estendê-lo ao meu corpo mundo. Assim ao usarmos as metáforas, não sei se até não é um distanciamento ao movimento que se alonga em todas as formas, pois o carácter vivo do movimento, que faz pedro brota dos mesmos lugares que faz asteróide, porém o devir pedro documenta outras dança que não é a mesma que um asteróide. Mas o movimento é movimento tanto aqui no circular da minha linfa, nas correntes de convexão no manto magmático da terra, nas panelas de água a ferver no fogão. Torna-se mais claro o respeito à minha vontade de existir e consequentemente a todas a forma vivas, quando digo vivas não só nomeio o que convencionámos a chamar vivo, mas a todas as formas do universo, que em si já são documento da dança que todos os movimentos na tensão do devir de cada ser formam.

Olhando-me percebendo que o bonito vai além de bons cheiros e peles lizas. Também sou entranhas, mucosas, fezes, esperma, lágrimas, sangue, gordura… apercebo-me dessas viscosidades e fluidos inundantes a kilómetros por hora. Tecidos mais moles e tecidos mais duros. É óbvio que quem se debruça mais sobre estudar o mundo se aperceba que na criação do corpo, da matéria em si, emerge do movimento que esse corpo possibilita ser atravessado. Se um músculo não se mexer atrofia. Se uma folha de um gerânio não apanhar sol, atrofia. Se a crosta terrestre não se mexer, desaparecem as montanhas. Criar corpo, ouvindo-o na sua deformação, na dança que vai sendo a cada agora, afina-o a estar pertinentemente vivo e existente. Olhar de frente para todo esse movimento é uma vertigem, olhar de dentro é coragem. Olhar as minhas vísceras, os nódulos acidentados, as velocidades imparáveis dos líquidos, do deslizar do humor vítreo dos olhos, dos desvios do sangue pela temperatura, pelo vento, por uma palmada nas costas, é alucinante, o que torna a vida maravilhosa, aquando num estúdio branco, na reclamação de “nada está a acontecer”, rebento em saber desta possibilidade, porém preciso continuar a praticar essa confiança, talvez.

Hoje estava a ver um vídeo de uma cantora que gosto muito, silvia perez cruz, ao ver e ouvir a mexer a boca a emitir som melódico com palavras, perguntei-me que atenção deve ser para ver essa deformação constante na criação de voz, que parece muito fácil, está aqui, mas nem sempre possível. Das deformações que foram e se vêem agora, como na voz, e também ver as coisas que se estão a criar nos corpos futuros. É vertiginoso. Não termina, continuo noutra vez.  Obrigado sofia, obrigado mundo.

pedro

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