em carne e osso

Hoje foi o último dia de 5 dias intensos do curso de mãos, com a sofia. Estive ou entrei mais perto do movimento constante de ceifa que brutalmente e levemente se espalha neste corpo que sou enquanto pedro. A velocidade estonteante dos fluidos bombeados pelo coração, encolher e estender dos músculos, da dança permanente daquilo que chamamos sistema nervoso central, desde aquele bicho que chamamos cérebro e o seu prolongamento pela espinal medula e ramificações dos axónios. Movimento imparável circular, onde aquilo que chamamos moléculas, átomos e iões se movem sempre, vivos, na calma e aceleração além corpo carne, ar, luz, som vibrações, reverberações. Essa coisa que chamo loucura imparável, esta coisa que é viver, e olhar a vida dentro da vida, não de frente, mas nesse coro de vozes que explodem e contraem em espirais de sangue, linfa, sucos, matriz, água, água, água, fluidos imparáveis no fazer pedro, sofia, gonçalo, andreia, valentina, camila, chão branco, cristina ao computador, otto a curar a ressaca das gatas, o sol brilhante e fusco… rebento na descrição e adenso na palavra que por ela nascendo deste lugar vivo, vida, exuberância da vida que passou pela boca, língua dentes, saliva, faringe laringe do bragança de miranda.

A minha amiga susana tem agora uma hérnia no pescoço, e a elis regina prenuncia pescoço enquanto escrevo-a e ouço. Como eu posso ter tantas e tantas hérnias nesse adormecer que se abre e justifica este corpo que vai dançando a vida incontrolável. Não é ansiedade, é prática de estar vivo, com este corpo que não é a utopia que foucault escreveu no texto que li do lyncoln. É além do susto de ver todo este movimento infinito que não é descoberto só por mim, mas que aparece numa gratidão, que por vezes na desatenção desonra a relação e a aprendizagem que tenho em estar lado a lado da minha amiga sofia.

Vejo cada vez mais que tenho de mexer, viver, pulsar aquilo que sou, permitir-me pulsar o que sou, ver esse acontecer que não é apagado, que enquanto vivo está aqui, brotante, reverberante. Não quero um olhar egoísta sobre esse olhar deslizante dentro e fora dos fluidos que passeiam nas veias, nas bolsas dos vulcões, nas correntes de vento, nas ceivas das plantas, nos poros das moscas. Este olhar que destreinado se esvazia, percebo-me dessa pulsação muscular, latejante das estrelas, do ir e vir, pois a densidade do entre parece-me potência de vida. Ai como não quero ter certeza; que me enquadrem a energia viva das rosas que crescem-me das mãos. Como viver nessa impossibilidade, vendo que é possível? É uma força atroz, terrível que se esbanja densamente neste corpo que persiste em viver, existir respirável, criando-se Golias, Aquiles, pulga, sombra, brisa.

A prontidão do corpo, interceptado por uma ansiedade, preocupação, mas acompanho-o neste como posso, acreditando e abrindo a confiança em ser, respeitando no lago do amor este, aquele, o outro bicho que vou sendo…

pedro

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