da rua do capelão à aldeia do cadafaz

Estávamos a entrar na rua do capelão vimos a Arminda com o lado esquerdo da cara, inchado. O que aconteceu? Com os olhinhos pequeninos atrás dos óculos, vestida de bata azul, larga o tricô da toalha florida, arredondada por outras tantas. Não sei o que é, mas há quatro dias atrás apareceu-me este inchaço, não sabem se é dos dentes, ou de outra coisa qualquer. Mas parece que vai ficar melhor, já está mais desinchado. Pois, não sei. Mas você é tão forte. Sabe, rocei muito mato e lenha. Receio muito tomate e lenha?!? Não, rocei muito tomate e lenha! E por isso é assim forte. À pois. Levava carradas de mato à cabeça e trazia montes de lenha às costas. Isso é que é força, oh Arminda! Pois é. Um dia caí naquelas escadas abaixo e fiquei entalada entre as escadas e o portão, e foi difícil para alguém me acudir. Nem conseguiam abrir a porta, nem eu saia dali. Depois no hospital uma doutora olhou para a radiografia da minha coluna e perguntou: quem é a doente desta coluna? É esta senhora. Tem uma coluna muito forte. Rocei muito mato e muita lenha!

O meu marido pesava 167 kilos. Lembra-se dele? Lembro-me muito bem. Pois é. Ele no final da vida pesava muito mais e tinha muita dificuldade para o ajudar a levantar, lavar… tinha dado uma grande queda ali no Anjos… era um grande jogador de rugby, chefiava todas as equipas de rugby. Um amor e orgulho saiam-lhe das lembranças.

E quando vai de férias? Precisa de descansar. Amanhã. Que bom! A minha neta vem-me buscar para a minha terra. Que bom! Olhe para as árvores a dançar, é tão bom! À frente da minha casa há muitas árvores. Um dia vamos lá fazer uma residência artística. Risos. E onde dormem, a casa é pequenina. Na rua. Há muitas silvas. Olhem há dias os militares estavam a fazer uns testes com aviões supersónicos, passaram tão perto pela minha aldeia que destruíram lá muita coisa. Que horror, porque não vão fazer testes para outro sítio. Eles precisam de se preparar. Sim, mas olha o que aconteceu com a sua aldeia. Pois é! Como se chama a terra. Cadafaz, Góis, perto de Coimbra. Cada um faz? CADAFAZ. Risos, beijos e lá saímos para o cantinho da nossa piedade, já comia a sopinha que a margarida lhe preparara.

pedro

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