o tempo não vai de comboio

amanhã às 5 e meia vamos ajuntar na rua do benformoso junto ao chafariz e ao café do joão e da alice às voltas com o fim do trabalho e com a “transição”. já oiço hoje falar de um outro tempo,não devorador e não narrativo e de uma outra história mais expandida para os lados, mais elástica e ondulante. um tempo que não perde tempo a ordenar os acontecimentos esquecendo-se de os viver, uma história que não conta só a história de quem grita mais alto.

pois o trabalho, originalmente tido como uma punição, parece ter nascido para mercadorizar o tempo, para desfocar o valor das coisas da vibração dessas coisas, produzindo coisas, em grande parte supérfluas, que foram entupindo a nossa forma de vida até à imobilidade. a história das linhas grossas estabelece marcos inevitáveis, um deles será o nascer das leis. o estabelecimento de direitos e deveres. pois, correndo o risco de acharem que digo que estávamos melhores nas cavernas à mocada uns aos outros, eu gostava de não desconsiderar que antes de haver direitos e deveres não havia, que antes de haver trabalho não havia, que antes de haver capitalismo não havia. bem sabemos que havia então impunidade, desigualdade, selvajaria, caos…pois isso já ouvimos, mas e se esse “antes” tivesse um outro tempo que ainda hoje e sempre pulsa no corpo que vamos sendo? não me refiro a recuar, a passar a viver sem leis e sem trabalho e sem capitalismo….penso que isso serão práticas que cada umaum ou cada conjunto de umaseuns terá que avaliar e exercitar com rigor à medida daquilo que vai sendo pertinente enquanto caminhamos. refiro-me antes a uma profunda e permanente capacidade de pensar-agir-começar-continuar, que deforma mesmo esse tal corpo que vamos sendo, esse corpo que atravessa mesmo enquanto acontece.

vejo muita dificuldade em considerar algo que não seja destruir para construir ou mudar as peças da construção de lugar…qualquer destas hipóteses não abre a possibilidade de escuta a outras formas-movimentos que não sejam estas peças que conhecemos.

se calhar a “transição” implica mesmo escutar outras trepidações que não as equacionadas. por exemplo, em vez de discutir se devíamos ser altos ou baixos se calhar vermos que  somos azuis…ou que soamos em lá menor…ou…

ampliar a escuta para além da destruição ou da recomposição…considerar criação

bom,deixo o texto da conferência do anselm jappe, até amnhã, sofia

http://www.c-e-m.org/wp-content/uploads/anselm-jappe_trabalho_transicao-mmatos_abr2013.pdf

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: