tempo sem horas, escutar o brotar e o retorno

sabes quando está na hora de ir embora e tu começas a gritar “só mais 5 m”? é isso! ando amassada, salgada e bronzeada às riscas de tanta rua mas parece que esta aventura saiu das horas do relógio, só reconheço o cansaço quando levanto as pernas e elas gritam baixinho “obrigada”, como ontem deitada na carrinha do senhor guilherme das madeiras ali na rua dos douradores. em toda esta viagem que tem sido a janela do pedras vejo-me como a grávida que passeia na praça ainda sem a saliência da barriga, feliz no seu segredo quase invisível.

ontem havia gratidão, amor e reconhecimento nas palavras das pessoas do mercado, no lanche na amália que nos escreveu num bolo o quanto deseja continuar ao nosso lado para sempre enquanto a isaura, a vizinha, a madalena e a violeta, vermelhas -roxas de tanto calor, passavam com as bengalas e os pézinhos frágeis por entre as pedras irregulares do beco da amendoeira só para festejar estarmos juntos. sabes quando sentes que aconteça o que acontecer não queres perder esta voltinha no carrocel? não se passa nada no festival que não venha acontecendo todo o ano mas sente-se no ar a festa, a celebração dos afetos, a saudade dos encontros que ainda estão a acontecer e que continuarão acontecendo. saudade de algo que não desaparece mas que abre tanto passado e futuro enquanto dança o presente que às tantas só no sonho, a dormir ou acordado, se pode abraçar tamanha intensidade.mais uma vez são coisas de criança, essa prática de ter a realidade e a fantasia na mesma tecitura de acontecimentos.

ando há dias, ou há horas, já me perdi, para deixar aqui uma palavra sobre a documentação na carrinha do felismino. parece-me impossivel e injusto salientar alguns acontecimentos e não trazer outros…é só que esta documentação entre nómada e em poisio me tem refrescado muito o pensamento.

ontem na conversa às voltas com o corpo-arte-politica-cidade adensou-se o ajuntamento com o boaventura na noite anterior ou o fluxo de experiências e saberes da conversa no mercado enquanto se antevia já a conversa-educação de hoje.

documentação será esse retorno do próprio brotar de existir feito matéria.

até já, encontramo-nos na rua…ou no vento

sofia

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: