ser criança, ou entre ontem e hoje

muito trepida a alegria de ver o livro de mão em mão.”9-9A as aventuras de um buraco….” , o pequeno almoço em família mesmo ali no meio da praça. trago a força da criançada durante a conversa com mario perniola, kristine e pedro. ainda não sei onde oiço a contextualização atística que o mario fez, se no equívoco de “ter” que falar de arte, que penso já se vai diluindo com o encontro com boaventura, se nesta sensação tão nítida e ao mesmo tempo indecifrável de ser criança…o tal “outro corpo” que atravessa as conturbações que hoje se expressam no mundo criando outros caminhos, outros fazeres….esse “outro corpo”, deformado, sensivel, elástico, atento, corajoso é talvez um corpo criança…sábio enquanto inocente, vulnerável e frágil enquanto tempestuoso e poderoso, corpo curioso, insistente, não redutor, capaz de rir e brincar, de se ofender, de esquecer, de latejar, de dormir, de mexer, de perguntar, de perguntar, de perguntar.

a tonalidade que mário tem enquanto escuta atento cada subtileza-acontecimento, com uma implicação impressionante, traduzindo de quando em onde algumas palavras à kristine, toca-me. ela na sua juventude de quem começa um caminho, talvez querendo reforçar que está a caminhar aqui e ali, mas muito focada na leveza do passo, ele pensando, pensando, pensando.

o encontro com boaventura foi muito feliz, próximo,directo, aberto, informal. talvez mais um começo de conversa aberta em praça pública mas um começo que, se não estivessemos percorrendo esta contínua continuação, não abriria as paisagens que abre, a disponibilidade que desembrulha no ar…

não estou com pressa nenhuma de encerrar considerações sobre as duas conversas de ontem, hoje, pelo meio dos bailes, das danças, rota e ajuntamentos, teremos mais dois encontros para conversar e pensar juntos, um daqui a pouco às voltas com o que comemos hoje e outro, pela noitinha, discutindo Corpo-Política-Arte e Cidade….entrevejo pensamentos cruzando fios, entretecendo linhas e feltros num tecido-criança.

vou sair para mais um dia na rua.

deixo em sofiez as palavras com que boaventura rematou o encontro ontem em são domingos, o largo ainda pulsando com a dança da sara, os amendoins, as bebidas guineenses, a diversidade de gentes e atenções:

provavelmente estamos à espera de uma resposta que nos guie neste momento e a resposta já está aí….são pequenos acontecimentos como este, que vão apresentando a tecitura de um outro caminho, plural, construído de múltiplas vibrações como esta conversa aqui na rua.

a ver se conseguimos trazer a querida piedade ao lanchinho no beco da amendoeira.

segue a viagem

obrigada

sofia

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