Pode um festival ser investigação?

O longo adensar das perguntas que traz o festival pedras, dentro do continuum que é o estar com as pessoas e os lugares que praticamos aqui no c.e.m tem-me trazido esta formulação: pode um festival ser investigação? esclareço que não é um festival sobre investigação, não se trata de mostrar, dar exemplos, de como se faz investigação, não se trata de colocar stands onde se investiga desta ou daquela maneira, com este ou aquele resultado. também não quero dizer um festival investigativo, no sentido de vir ensinar como investigar, pondo o público a experimentar como se faz em vez de vir ver fazer… Pode um festival ser investigação? Quero dizer, pode continuar o silêncio no interior do encontro que agora se transforma em convite? Posso continuar a perguntar mesmo quando efectivamente pergunto? ou se calhar a pergunta é: posso continuar mesmo quando páro? posso ver a forma e continuar a ver que não é na forma? O Festival Pedras está aí a aparecer, com a forma que se há-de revelar no encontro, mas que também já está definida no convite (ora veja-se o post fixo da programação no canto superior esquerdo). Esta forma que ele já tem podia ser qualquer outra, mas sabendo isso, sinto a especificidade desta forma fisicamente impressa, percorro-a internamente antecipando o futuro, o corpo que há-de acontecer concentrando-se e alongando-se lado a lado com as propostas que ainda não aconteceram. E sinto já desde aqui que onde quer que a coisa adense também se rarefaz de outro lado. O silêncio está sempre entre as coisas por mais audível que seja a pergunta… desde que seja mesmo uma pergunta… não se trata de fronteiras, trata-se do tudo ao mesmo tempo que permite tocar a especificidade de uma coisa. Recordo o festival que ainda não aconteceu, nos seus adensares e rarefacções, nos momentos em que estive mais rarefeita ou ajuntada, e ao mesmo tempo vejo o festival enquanto organismo em si, todo ele ajuntado, e no mesmo momento o lugar de continuar a ver nascer as perguntas, a rarefacção que sustenta a densidade destes dias que se aproximam – de terça a domingo e de novo na outra terça…  Pode um festival ser investigação? será a pergunta que levo comigo debaixo do braço, junto com o chapéu, a água, o protector solar, e uns sapatos confortáveis para caminhar, nestes dias que se seguem.

margarida

 

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