deixa ir

Há coisas que as vejo acontecerem com uma força, que os corpos se reúnem nesse acontecer, dispondo-se a essa onda que leva tudo à frente, inundando em questões, e deformando os corpos na sua passagem, empurrando, levando, trazendo, ajuntando, afastando, apertando. Pode até parecer que não acontece, mas aquela força viva atravessa e altera de forma bruta os seres. Vejo que até consigo não participar, mas não posso. É muito forte, ver que até consigo questionar o que faço ali no meio daqueles corpos, enquanto estou a ser levado pela onda. Apercebo-me até que consigo sair, mas não posso.

Vejo que há quem queira não ver, fingir que viu e não reparou, mas não podem não ver a acontecer. Não há como não acontecer, mesmo que pareça que não acontece, lá está a onda empolada a acontecer, tem a sua vontade, e brota de um sítio que não é lugar nenhum, cruzando as ideias e vontades, que são o que vão sendo além da suposição do que veem ser. A questão não é se vai ou não acontecer, pois acontecido já está a ser.

pedro

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