Carta II de Belo Horizonte – manif 17.6.13 bh

Belo Horizonte, 17/6/2013, da Praça 7 em direção ao Mineirão pela Antônio Carlos

enquanto te roubam vocês gritam goool!

as pessoas contra a copa outras PSTU outras passe livre outras aqui não tem partido outras anel

chega um punk sujo com bandeira do Brasil rasgada escrito foda-se –

o repórter da Record, muito limpinho como o punk – “os manifestantes chegam ao ponto de rasgar a bandeira do Brasil” – ele faz perguntas ao “rebelde” para que este fale mais foda-se em toda a sua maquiagem

eu digo que o repórter e o punk são a mesma coisa, polos do mesmo fluxo de cegueira sem medida

querem imediato o que não se recebe dado em bandeja

eu saí do facebook e vim pra rua

e ainda há uma eu sou viciada em internet, mas vim

Japão, eu troco nosso futebol pela sua educação

que educação será? pouco sabemos, estamos é começando a pensar nisso com novas companhias

é o Brasil saindo da inércia?

gera um formigamento no coração estar presente insistir em existir

as pessoas chamando os trabalhadores do prédio financial vem pra rua, vem, o Sr. de terno responde vibrando com os braços para cima

você aí parado, também é explorado

e vibrar sem ter que estar em manifestação? pratique mais revoluções no seu dia a dia sô

um rosto cismado em silêncio

é uma variedade de políticas

a performance vai seguindo pela Afonso Pena

encontro o Luís com um pote de macarrão, parece que com abobrinha, que distribui. macarrão aberto

paro com Flavia e Aruan para um delicioso suco de laranja. atrás do balcão da lanchonete o mundo do trabalho continua – & a euforia lá fora o povo acordou

povo não é necessariamente todo certeiramente

quem faz a performance trabalha para quem não faz?

vejo diferentes ortografias

a gente não assisti rede

a língua portuguesa no Brasil não é uma só como se quer – mas há quem diga que é falta de educação, o que não deve deixar de ser,

mas onde é que educar ficou parado em normalizar? abafar o que comunico

esquecendo-me de que a forma de dizer por si só não carrega o que eu vibro

viva a coletividade

a coletividade é uma identidade nacional? acho pouco, pouco quando somos tantos

(enquanto houver Brasil, já dizia Carmen Miranda)

não tem como gritar isso esquecendo-se das diferenças

dos modos de apontar pras coisas

o ônibus da polícia Militar & ei, soldado, vem pro nosso lado um aperto de mão do alto do ônibus e um soldado batucando levemente o seu banco

a Antônio Carlos inteira cheia do lado direito

a classe média passa a favela assiste diz o Thiago

eu e Laura jogamos a garrafa vazia 500ml pro moço na varanda da avenida

volta uma de um litro. o lote vago que dá para a varanda do moço cheio de gente jogando garrafa pro povo dessas casas generosas

a polícia as pessoas essa insatisfação geral que eu achava que só na Europa em crise

a violência que conhecemos é forma de evitar o verdadeiro confronto

o verdadeiro confronto só ocorrerá sem a vontade de destruição

bernardo

foto de entrada,  danielle pinto

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: