vinha eu ontem na autoestrada, já noitinha, e

vinha eu ontem na autoestrada, já noitinha, e depois de um telefonema de duas horas a tratar de estranhezas diplomáticas, e a pensar neste transitar entre cidades, ou deveria dizer entre aldeias?… acordo ao som da vassoura do vizinho. um momento de confusão, e o corpo está… só encontro a palavra na pastelaria raposo, onde me enfrasco em café todas as manhãs enquanto leio:  transiente. diz o graham greene: “transcience was my pigmentation; my roots would never go deep enough anywhere to make me a home or make me secure to love”. não acredito, é claro, que não se faça um lar ou se crie amor neste estado. olhem para os ciganos e outros nómadas. mas a palavra parece ser essa sensação de estrada a correr debaixo dos pés, de o estar aqui ou lá ser a suspensão, ser aquele ponto do objecto que atirado ao ar equilibra forças e suspende o movimento, e que o varrer dos farois, que a deslocação, qualquer que seja a velocidade ou o meio de transporte (lá vem outra vez o *trans*), é o estar de equilibrio, de respiração, de sossego para o meu corpo, para mim… as paragens, ou são suspensões ou então alheamentos, entorpecimentos… está assim claro, pelo menos por agora, o que tento transmitir (e de novo *trans*) a quem trabalha comigo e como dizia a sara, lá no largo de s. domingos, para ela, tudo isso acontece noutro estar. isto deve ser como o bacalhau: há 1001 maneiras de se fazer;  mas para já, re-confirmo a minha atracção pelo *trans*. e já agora trans é um prefixo, que vem do grego, ao que parece, e significa “através”, “além de”.

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