perguntas e mais perguntas

á espera que a roupa seque… aparece como resposta ao desafio de interpretar uma performance numa atmosfera urbana em plena rua, sem os meios e a protecção  oferecidos pelas salas de espectáculo extremamente bem equipadas de Estremoz e  Redondo. 

Durante este mês irá transitar entre Alentejo e Lisboa, entre a sala de espectáculo e a rua urbana,  permitindo que venham à tona questões como:  

É possível manter as diversas linguagens artísticas a pulsar por si de forma a que seja o cruzamento delas no momento da performance a produzir uma atmosfera estejamos onde estivermos? 

A experiência de um ambiente rural que é levado para uma sala de espectáculos, versus a experiência de um ambiente de cidade que se continua a nu na comunicação do trabalho, trará alguma deslocação, sensação de viagem, a quem assiste? Será que esta alteração de contextos provoca situações específicas para além da evidente alteração de meios técnicos?

O trabalho de corpo/palavra continuado com a população sénior que o c.e.m  desenvolve em Lisboa e que está a ser realizado no Alentejo ressoará por entre as diversas pessoas que o integram? e como transborda para uma esfera mais alargada que inclui quem tem acompanhado esse trabalho enquanto também integra o transeunte comum desavisado daquele acontecimento?

De que forma a presença/movimento/corpo serve de catalizador a esse cruzamento? Como manter a disponibilidade para os imprevistos que acontecem sempre na rua, deixá-los cruzarem-se com as outras linguagens? Como ser o catalizador sem centrar a acção, sem ser o foco principal? 

Numa sala de espectáculos é bastante previsível o local e o movimento do público. Na rua essa presença é bastante mais fluida e intermitente. Instalam-se vários níveis de presença: os que chegam para assistir, os que ao passar ficam um pouco, os que atravessam. Como acolher essa informação e incluí-la/transformá-la numa mais valia?

É certo que a proposta inicial pretende trabalhar a excentricidade, entendida como 

grupo sem centro. Mas a rua é por si só um espaço muito destecido. Como teceremos então sem apertar demasiado a trama, de forma a manter essa possibilidade da excentricidade?

Quanto mais vulnerável é a proposta, mais um performer tem tendência a centrar a acção focando a atenção do público no centro da cena.  Como não ceder a essa  tentação?

A abordagem do texto, será outra questão premente. Numa sala de espectáculo é mais fácil conseguir manter o fluxo do texto. Como funciona um texto destes na rua? Como dar a cada frase uma continuidade, mas ao mesmo tempo fazê-la soar por si, algo que continua com quem atravessa e leva essa frase, essa palavra, esse parágrafo, um pouco mais além?Imagem

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