solidão

disse-me peter pal pelbart que deleuze um dia, interpelado por uma das pessoas que assistia à sua aula sobre cinema que se queixava da falta de comunicação contemporânea e da solidão, terá dito: o problema não é que estamos sós,é que não estamos suficientemente sós.

a possibilidade de estarmos com nós mesmos, esse recolhimento só, fundamental no apuramento do silêncio-chão do ser-estar-fazer, é um lugar de fuga recorrente. projectamos, desenhamos estratégias, inventamos “actividades” relacionais que estão tão na moda, confundimos comunicação com descarga e vamos esgravatando formas de não nos encontramos sós, lado a lado com quem vamos sendo.

a ruptura dos tecidos colectivos não será também agravada pela ausência de silêncio? o esvaziamento do desejo, a insistência na sobrevida, não será alimentada pelo pavor dessa solidão?

tal como me parece bastante desinteressante o isolamento enquanto escolha de recorte do ego, também o “estar juntos”, a promoção de eventos de aglutinação, sem que haja um compromisso de estar em solidão de cada pessoa que enuncia o convite não me parece justo.

tenho entendido no meu percurso de vida que aquilo que vou sendo se apura no contínuo pulsar corpo-mundo,mas tal como a comunicação me parece afinar a vibração específica da membrana de encontro com o ser-mundo, também a atenção no brotar de mim, a solidão da caminhada no desconhecido, me parece afinar o ser-sendo.

sofia

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