gentrificação, e isso é o quê?

há uma brincadeira que aprendi num livro do asterix, num comentário que um deles faz do bardo e que é qualquer coisa como “aqui as opiniões dividem-se: ele acha que canta muito bem e todos nós achamos que ele canta mesmo mal!” esta quinta feira dia 6 às 6 da tarde vamos abrir conversa (eu o antónio guterres e a ana estevenshttp://salganhada.wordpress.com/ ) na Zona Franca ali nos Anjos. convidámo-nos a discutir em conjunto o que está a ser a gentrificação desde a nossa experiência e, especialmente, o que está a acontecer com o martim moniz e a mouraria em geral.
às vezes confesso que me parece absurdo discutir gentrificação quando esse movimento “de fora para dentro” é tão adequado a todas as iniciativas políticas, sociais, económicas e até artísiticas que vejo acontecerem .
parece que os “bardos” estão com esta ideia fixa de um crescimento sem fim—-e parece que os que têm que ouvir os bardos se perdem um bocado a contrapor crescer com “de-crescer”—talvez também contrapor “gentrificação” com “des-gentrificação”—digo eu que, como fala a minha grande amiga piedade,não sou ninguém nem nunca serei ninguém, mas estou aqui a ver isto.
a gentrificação será essa ideia de cidade-centro comercial, com pessoas a fingir que são pessoas, onde os mais ricos podem ter uma casa limpa e moderna, os ratos andam de paletó, as baratas de bata branca e as gaivotas de touca esterilizada.
onde poderia haver janelas para a rua pintam-se quadros de personagens típicas de outros(estes?) tempos, com certeza se pode ouvir música típica a preencher as ruas e com certeza a criançada brinca atrás das grades—-mas não estão presos, estão protegidos—-é como os velhos.
isto que temos trabalhado a que chamamos “acompanhar” é assunto estranho pelo mundo fora.
acompanhar a densidade ou a tensão ou a vibração que se faz determinada forma, determinado corpo, implica ver-sentir em movimento. a nossa mania de pensar em “frames” constrói um tipo de pensamento também em “frames” que se especializa em “framar” para pensar—-como se já não bastasse pensar “framando”.
pois se nós nos viciámos em “projectos”, projectos de vida, projectos de cidades, projectos de lei, projectos de expansão—-é muito natural que tudo se faça a partir de uma leitura apressada dos sinais grossos da história para a construção de uma outra realidade “ideal”(ideal para quem fez a leitura apressada, claro está)
como tanto tenho insistido, também não é sobre “preservar”. isso vive no mesmo universo de ideias de não escutar-acompanhar o que vai sendo. é prolongar a vida para depois do seu próprio desejo de ser! lá volto eu aos tempos dos seres vivos, a ver se não nos esquecemos que os tempos de existir não são os mesmos para tudo o que existe: básico, não? então vamos lá dizer outra vez: a oliveira vive 2000 anos, a sequóia 3000 anos o crocodilo uns 80 anos e a nossa querida efémera,como o nome indica, umas escassas horas.
termino esta esclarecedora verborreia pedindo aos idiotas para descansarem um bocadinho das ideias—ou então para criarem um mundo ideal longe de qualquer universo e irem para lá por em prática os seus projectos….cá coisas
sofia

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