silêncio na taberna da isabelinha

sempre que chegamos aqui à taberna na cruz dos poiais há uma sede de festa. as danças sacodem os males e as canções lembram os corpos da força de tremer, de estar vivo! não vimos com essa coreografia na mão mas lá que ela aparece, aparece sim. e é mesmo sede! dos abraços, das brincadeiras, das gargalhadas, das desafinações, das conversas entre amigos. parece um bálsamo para as mazelas da semana.

pois esta sexta feira também houve festa, danças de roda que se fazem possíveis com os mais improváveis pares, músicas compostas de diversas canções diferentes entoadas em simultâneo, mão na mão rodopiando enquanto o copo de vinho fica mais esquecido no balcão e a televisão se cala.

e às tantas, para horror da isabelinha e, curiosamente,não tanto para horror dos homens do albergue nocturno, fez-se silêncio.

s             i                              l               ê             n                            c        i                o

quase impossível, mas apareceu silencio. ainda muito parecido com “não fazer barulho” ou “estar calado” mas com esse perfume de ser silêncio. aquele silêncio que é o som de fundo que sustenta as canções e os abraços e as danças quando elas acontecem mesmo acontecendo.

uma espreitadela de silêncio silencioso. um dos homens que fica sempre ao balcão sem vontade de cantar, um daqueles que vê o silêncio pelo meio das canções,sorria abrindo o espaço.

à saída piscou-me o olho como quem partilhasse um segredo.

sofia

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