é andar andar andar

é a dona maria da luz que é de perto de rodão e que gosta de mexer na terra e pôr os vasos na rua para alegrar quem passa ali rumo ao largo da achada e que também tem um banquinho para se por à janela, é a gracinda que tem uma couve com mais de 2 metros de altura e que se lembra da mãe dela subir a um banquinho para tirar as folhas para o caldo verde e que me levou a trepar a um banco de pedra e ver o largo desde aquele lugar, é a couve que em vez de ir ser arrancada para não furar mais o prédio vai servir de caldo verde para a nossa acampada em julho aqui em volta do chafariz, é o gozo de trepar para o muro do 9-9A e ver a horta-jardim a crescer, é o senhor guilherme da rua dos douradores que não acredita que se possa travar os grandes que lhe vão ficar com a casa das madeiras, é o tony que diz que me traz uns cubos lindos que andou a cortar se eles não servirem lá onde os vai pôr, é a esquina da rua da conceição com a rua da prata colorida pelos maravilhosos da crinabel que só agora chegaram à rota, é o homem que passa de carro e não se aguenta de rir com esta excursão tresloucada de gente que vai a dançar como se a vida tivesse graça, é a alice do mercado que me puxa para um canto e me oferece um saco de malaguetas para quando quiser ter tesão, é a mulher que nos vê de longe eque hoje nos quis vir oferecer morangos, é a jesus da peixaria aflita que a chefa está lá em cima e ainda vem correr connosco, é a roda do enleio que se faz dança outra vez, é a cidália na rua cor de rosa que se queixa dos donos dos bares que agora andam todos inchados desde que esta zona é chique, é a rua do alecrim a espreitar lá de cima enquanto cá em baixo falamos de sexo, é o filipe que traz outra vez a tshirt do batman e se perde entre as prateleiras de bolachas da alda e da lídia na travessa do cotovelo como se estivesse num museu, é o beco na rua da boavista onde a roupa a secar parece desenhar as paredes e onde o sol nos encosta ora de um lado das escadinhas ora do outro, é o homem em calções que não tem onde cair morto e acha que não se deve deixar comida seca para os gatos da rua porque eles depois morrem de sede, é a escola das gaivotas ainda fechada e nós sem saber porque aquele espaço não abre, é a isabelinha da cruz dos poiais feliz de nos ver de volta, a inventar instrumentos para a orquestra improvisada,é o césar fadista que conhecemos o ano passado no 13de são paulo e que passámos a ver muitas vezes na mouraria e que está na taberna da cruz poiais e não se furta a entrar na dança, é o tiago lá de baixo do acolhimento todo apertado com uma rapariga ali na calçada do combro, é o vento, o pó, o pólen, é lisboa viajante.

sofia

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: