convidar-se a si próprio

Não é sobre a forma, e no entanto não se pode falar que da forma. Assim como as palavras não são sobre a forma que têm e no entanto não se pode escrever senão formas que são palavras. E as coisas que as palavras dizem também não são sobre a forma dessas coisas e no entanto não podemos senti-las sem que elas tenham determinada fronteira de contacto connosco. O que não é sobre a forma não é possível ensinar e no entanto cabe ao aluno o desafio de aprender. É precisamente o que não se pode ensinar que pode ser aprendido. Uma aula, um livro, uma dança é um encontro onde a possibilidade de aprender é convidada, e esse convite passa sempre pela configuração de uma forma. Um convite que, na minha tarefa de aprender, tenho de considerar enquanto macro-convite não me esquecendo que tenho de me convidar a mim própria dentro desse convite. E assim predisponho-me a que na forma aprenda algo que não é sobre a forma, que na fronteira de contacto que o macro-convite me abre, eu escave uma direcção interna que me leva a tocar por dentro essa fronteira de contacto. Um arco interno por dentro de um arco externo.

margarida

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