já não há recuo que nos leve para fora dessa contradança!

Nesse último sábado a revoada me ensinou muito. Nem preciso de dizer o que aprendi… tenho em mim a vibração que me diz que aprendi a revoar, aprendi a estar e dar suporte ao que temos vindo a chamar de revoada e que isso não quer dizer que já chegamos a algum lugar, continuamos a viagem.

Um dia conflituoso, as nuvens apareciam e desapareciam, ou o sol brilhava e reluzia calor sobre a pele ou o vento trazia arrepios deixando as pontas do corpo todas meio geladas, os pingos de chuva de quando em quando caiam por entre esse caos… Muitas dúvidas surgiram, será possível estar na rua? Os miúdos vão ficar doentes? Será sensato ir ao 9-9a?
Perguntas apareciam e o que me foi acontecendo era uma abertura que distanciava as possibilidades de trabalhar o que estamos a trabalhar no Largo da Achada todos os sábados do mês de Maio. A caminho desse encontro, vinha eu andando apressado e irrequieto, o que sinto agora é que eu tinha uma certeza mas duvidava dela… não queria cortar a possibilidade de estar com as pessoas mais um dia a revoar, mas as tais circunstâncias, as tais leituras dos sinais dificultavam a aceitação daquilo que eu considerava, daquilo que se fazia urgente a mim, daquilo que me tira de casa para ir até o 9-9a… como é possível congelar desejos e vontades, que força de desacreditar é essa que quer ser maior que a força de acreditar? Não sei. Nem quero saber e tenho raiva de quem sabe… Pois digo-vos que não me contive… e se calhar era preciso ter ainda mais confiança, buscar um impulso maior para seguir e assim fomos até o 9-9a, com vento, chuva, sol, até com um pé partido… se confiamos na força de estar no encontro onde acreditamos ser urgente estar não há impedimentos que desfaçam as possibilidades do próprio encontro, e se há eles se convertem em outras possibilidades.

E o alguidar não se aguentou com o peso da água e se desfez, a roupa do Luís e da Iria molhou e depois secou, as muletas da Margarida pularam para fora e para dentro do buraco mais que qualquer um de nós, a tinta que era pra pintar as paredes acabaram por pintar o ténis novo da Catarina… e se a chuva vinha? Lá íamos nós ajuntarmonos pra dentro dos chapéus de sol, e se a chuva passava desajuntávamos cada qual para a sua parede e continuava a festa colorida…

Enfim aprendi muito a confiar e permitir que as possibilidades não precisam reduzirem-se mesmo que as condições não sejam as esperadas… aprendi que as coisas podem mudar e nem por isso perdem-se… e ainda bem que mudam e que há outros movimentos possíveis e inesperados e ainda bem que nunca estamos realmente prontos, que a dança pode ser diferente, pode ser outra e não deixa de existir… já não há paragens, não recusemos as curvas, as voltas, as dobras e as turbulências em pleno voo, é tempo de abrir ainda mais as asas que já não há recuo que nos leve para fora dessa contradança! Estejamos disponíveis!

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Lyncoln

One comment

  1. viva a revoada! que bom que insistiu em acontecer acontecendo! parabéns!

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