Inventário corpo a corpo do desenho do CRU poema agora

Com Mariana Lemos e Sara Jaleco, no dia 13 Maio 2013, no espaço do 30 da Mouraria, em Lisboa-Portugal…

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A Mariana vai dançando e falando sobre os caminhos do corpo, no corpo, no CRU agora. A Sara vai inventariando, ouvindo no seu corpo, o corpo da Mariana a inventariar…. muito bonito esse lugar que vai ouvindo o desenho dos gestos, os contornos e os caminhos desde dentro, sem estar mesmo a dançar… antes dançando esse inventário, apanhando-lhe as essências, os elixires, os traços de personalidade de cada poema, mesmo que isso não seja realmente possível…

ESPIRAL 1: Ela começa com uma espiral a rodar para a direita. Uma espiral que abre, mesmo até ao cocxis, no corpo atrás. Abrem-se as memórias, aparecem pessoas, relações, experiências, vivências, as glândulas. Abre-se uma percepção ampla. Tem muito eixo nessa espiral.

HAIKU: As mãos vêm, trazem um corpo mais quieto, mais no lugar. Elas tocam e são tocadas. Podem aparecer velocidades diferentes, a ouvir o virar palma, peito da mão, a ouvir as placas, a pele do osso a escorregar tunga tunga tunga, rodando como se não houvesse nem peito nem palma da mão, trazendo o radio e o ulna. Uma mão vem parar na outra, abraçam-se, uma é suporte, a outra é toque, enquanto os olhos piscam em código morse. Agora as mãos são pêlos, cílios, pele, cristaizinhos do ouvido interno… passeiam como antenas no espaço. É mais sobre encontrar do que procurar.

Corpo silêncio, fica, deixa assentar o lençol, grounding, talvez a registar, a aprender o que foi tocando.

ESPIRAL 2: Ela começa a rodar numa espiral para a esquerda. Esta às vezes é vÔo, vertigem, salto, desequilíbrio, corrida, turbilhão, furacão, ventania, e daí nasce um corpo que anda serenamente para o fundo do espaço. Nasce uma espiral limpa para o lado esquerdo do corpo sobre ele mesmo, pelo estômago, ela enrola, mexe os orgãos, encaracola sem fim e desencaracola, pondo-se a andar, voltando do fundo do espaço, com as pernas expostas para fora, dobradas… e o peso a ser pisado pelos pés inteiros, quase sem dedos. Depois ela abre, e vira rápido de lado, como caindo na vertical (não sabemos muito bem o que é este momento). Da anca direita nasce um entrar no corpo até a anca esquerda que a enrola de novo em espiral no corpo e começa ele a avançar para a frente e para trás em direção diagonal para o chão, movimento que a atravessa desde os pés até à ponta dos dedos das mãos, como uma luta que continua enquanto um pé se vem poisar sobre o outro. A anca direita faz de novo rodar o corpo, ela anda de novo, entra na espiral, roda e mão direita vem desenhar ao longo do ventre, enquanto vai nascendo o olhar nas mãos. Anda, anda à volta, não é tato, nem visão, é outra coisa. E abre, abre tanto, um braço fica o outro continua, e de tanto ir e ficar, espeta-se uma mão para cima e para baixo. Os orgãos puxam, enrolam-na até curvar com braços e mãos como um bicho, tipo louva-à-deus? Ela sobe rapidamente numa linha e desce de novo pela anca direita. Ela está dentro e fora. Um pé cobre o outro e roda e nasce a dancinha. Parece que esta dancinha tem mais a ver com algo que aconteceu antes dela dançar, uma memória mais recente?

CORPOS FRACTAIS: O corpo sossegando. Avança dum passo e começam os 7 corpos a fazerem-se e desfazerem-se. Cabeça tronco bacia… mesmo corpo, vários corpos.

SIM: Fecha os olhos e começa o sim. Cabeça roda de lado, pesa, desce, roda, e começa a subir desde o coração, para cima e para a frente e é puxado para a terra, e de novo para todo o corpo subir desde o coração. Vai à frente e corpo fica aninhado dobrado perto do chão. Ela vai à volta, desenrola e nasce o sim sim sim, cabeça cai para trás como um grito mudo, garganta aberta …

O SALTO: E sai para o espaço caminhando assertivamente, sem decidir mas vai vai vai, com uma certa velocidade. O espaço vais-se reduzindo, reduzindo em todas as direções à volta do corpo até que chega à estrela no chão. Come o chão com a barriga e são os orgãos que a propulsam para a vertical de novo. O salto. Não sabemos muito bem o que é isto no corpo…

A DOBRA + A FALA: Aparece a dobra compacta sobre si própria. Encaracola. Cambalhota. Fica ai. Desenrola. De pé. Quase aparece a voz, o som, o cuspo, a baba que cai.

Os objectos que vão aparecendo nas suas mãos. Vestido? Sapatos? Pau? O quê?

Continua

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