No Largo com Boaventura SS…Grupo de estudo Pensar e Mover junto

GRUPO DE ESTUDO PENSAR E MOVER JUNTO

13 de Maio de 2013 no Largo de São Domingos

 

Fui chegando e fui encontrando Cristina e Augusto para ir entrando na loja de roupa e outras coisas Orientais e Portuguesas ali da esquina do Largo. A ver se conseguimos abrir ali a possibilidade de ir la guardando bancos e cadeiras de varios tamanhos e feitios, para a conversa com o Boaventura Sousa Santos no Pedras 13. A loja é fixe. E bastante aberta e simpatica. E tem milhares de vestidos giros! Gosto de sentir o Largo desde la de dentro, e estar la mesmo a ver coisas. Da ultima vez que la estive comprei um estojo para arranhar as unhas para a minha sobrinha Madalena.

Seguindo para o Largo para estudar um pouquinho do livro do BSS, Portugal Ensaio contra a autoflagelação, que estive a ler na praia das Maçãs este fim de semana. Para mim faz mesmo sentido ir ouvindo como se encontram no meu corpo o amor, o mar, a dança, o largo, o BSS, e ir partilhando e continuando sempre a acreditar nesses encontros em que nos pomos a pensar e tecer estares em conjunto. Andei à procura da sombra que me mais me atraia e parei la em cima, na rua pendurada por cima do Largo, numa borda do passeio que ainda não estava muito habitada. Chegou Adriana, e depois o Gonçalo e a Sofia.

E la fomos lendo e ouvindo, enquanto os corpos lugares se iam transformando e enquanto aquele cantinho ali ja não ia ficando tão pouco habitado. Fico sempre feliz quando sinto esse potencial do cohabitar tão proximo, como tocando mesmo as peles. Ali estava, apenas acontecendo, sem ser necessario preparar, desejar, esperar, esse potencial faz parte deste lugar corpo, como felizmente de muitos outros. De vez em quando vinha-me uma respiração mais em expansão, um corpo a ficar mais espalhado e mais espaçoso, outras a minha atenção la ia para essa presença desse senhor ali mesmo conosco, que ia vendendo umas coisas daqui e dali, enquanto nos liamos e conversavamos sobre fascismo financeiro. Nas palavras do BSS, e sentindo, conversando sobre a realidade mais ou menos palpavel, mais ou menos virtual, surreal, do nosso mundo de mercado, por vezes parece mesmo que não se pode tocar nesses buracos por onde vivem as agências de anotação, as bolsas, as logicas do capital, as empresas, as moedas virtuais. Tanta coisa absurda que ja não corresponde à realidade e que continuamos a não conseguir, por enquanto, dar a volta. Mas vai-se dando a volta, continuando. Lemos também um excerto dum livro do Zizek de 2006, sobre a nossa realidade social, economica, politica, humana. E fomos conversando, sobre educação, sobre frutas e legumes, sobre diplomas e workshops, sobre como podemos ou não sucumbir às tentações das estratégias que os que nos financiam, quando o fazem, podem pulverizar e semear em nos. Não é facil. Concessões? Eu pessoalmente sou incapaz de fazer concessões. Talvez por isso seja tão ma estrategicamente falando, a angariar formas para desenvolver o meu proprio trabalho. Disse-se entre nos, não é tanto o problema de ir à universidade, ou de aceitar participar num coktail para “agradecer” ou antes “publicitar” o apoio recebido por esta ou aquela entidade, mas antes se pensamos nisso quando e se o fazemos. Se nos perguntamos o porquê, como, para quê? Não chegamos a ler uma parte do livro que tinha muita vontade de pensar alto junto, talvez para a semana. Colonialismos. Na Europa, no mundo, em Portugal. Assim como o fascimo social, que segundo BSS, assume varias formas e especificidades, como o fascismo territorial, o fascismo do apartheid social, o fascismo da insegurança, o fascismo financeiro, fascismo contratual, o colonialismo de hoje não se refere ao colonialismo historico que ocorreu até às décadas de 70. Mas continua a existir sob outras formas e feitios, e persiste provavelmente muito por dentro de muitos de nos, e em todo o tipo de relação de opressão assente na inferioridade supostamente natural, racial, étnica-cultural, e apetece-me acrescentar sexual, generacional, institucional, educacional, do oprimido. Quantas situações continuamos a viver baseadas em principios mais ou menos visiveis, mais ou menos conscientes de colonialismo? Esta questão  é para mim muito importante, porque fala de poder, de empoderar ou desempoderar presenças, pensamentos, acções, gestos, danças….

Este Largo é para mim muito importante, porque ecoa em mim num lugar em que é possivel talvez olhar de frente e pensar, sem medo, no corpo, na pele, na memoria, nas ancas, nestas questões.

Obrigada a todos e todas!

Sara.

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