De Barcelona chegaram-me cravos

Na semana passada uns amigos escreveram-me de Barcelona. Tinham comemorado o dia 25 de Abril entre cravos, canções e vinho do Porto. Estiveram durante 3 horas a escutar músicas do Zeca Afonso, do Sérgio Godinho,  do José Mário Branco, do Fausto. A mim, enviaram-me uma canção de Lluís Llach, um músico catalão: Abril 1974.

Companys, si sabeu on dorm la lluna blanca,
digueu-li que la vull
però no puc anar a estimar-la,
que encara hi ha combat.

Companys, si coneixeu el cau de la sirena,
allà enmig de la mar,
jo l’aniria a veure,
però encara hi ha combat.

I si un trist atzar m’atura i caic a terra,
porteu tots els meus cants
i un ram de flors vermelles
a qui tant he estimat,
si guanyem el combat.

Companys, si enyoreu les primaveres lliures,
amb vosaltres vull anar,
que per poder-les viure
jo me n’he fet soldat.

I si un trist atzar m’atura i caic a terra,
porteu tots els meus cants
i un ram de flors vermelles
a qui tant he estimat,
quan guanyem el combat.

Levantam-se cravos e levantam-se inquietações.

Cada dia são mais. Umas atrás das outras na urgência de quê?

Necessitamos erguer-nos mas todos os dias nos tentam puxar para baixo, para mais fundo. Todos os dias há uma novidade. Há uma confusão. Surge uma nova questão para baralhar aqueles que já pouco entendem o que está a acontecer. Volta e meia anunciam foguetes no meio dos mercados. Depois vem alguma coisa que não entendemos pois a linguagem não permite. E logo a seguir um termo económico em inglês. E depois um comunicado à imprensa. E ao cair da noite os despedimentos. Mas também nos chegam as baixas reformas, o número de desempregados que aumenta a cada dia e que as estatísticas escondem, não fossem elas os números do Estado…mas por aí fora caminhamos mais pesados, mais para baixo, mais para o fundo… No meio da confusão ouvimos que os serviços de proximidade vão fechar e que já não podemos enviar uma carta a um amigo. Mas uma carta? Mas…??

Todos os dias as inquietações são maiores…

As casas vazias que não pagam impostos quando o comum dos mortais viu os seus impostos escalarem montanhas. As casas vazias que não pagam impostos quando cada vez mais pessoas não têm dinheiro para pagar os seus empréstimos. As casas vazias que não pagam impostos quando cada vez mais gente é despejada para a rua ou para o seu carro. Sim, há muita gente a viver dentro de carros!

Abrir os olhos. Abrir bem. Abrir num exercício de ver, de sentir, de escutar. Não é abrir e passar. É abrir e ver! Está mesmo aí.

Estão aí a bater-nos à porta todos os dias! Vamos continuar a abri-la?

Ana

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