alexandre no cantinho sempre com muita atenção

Senhor Alexandre, tão querido que ele é. Chego ao centro de dia de são Cristóvão e são lourenço, e damos um aperto de mão, não apertado nem mole, um aperto de olhos nos olhos, de estou aqui, estamo-nos a ver.

Nesta segunda-feira, lá estava o senhor alexantre com 83 anos. Dirigi-me ao seu cantinho, porque tem sempre a presença dele mesmo quando sai para ir almoçar. Estava sossegado a olhar. Meti-me com ele, pois é bom ir ao aconchego daquele cantinho depois de tanto tempo no centro do furacão do tempo para nada, não impondo fazeres e não me desimplicar do que naquela sala de chão verde acontece, em silêncio de espera.

Lá me sentei no banquinho onde costuma por os pés e cantei-lhe a canção dos escravos. sorriu.

Gosta de música? Sim quando era mais novo tocávamos todas as noites depois do trabalho, e até enquanto trabalhávamos cantávamos. Aos 15 anos comprei uma viola numa grande festa de são José lá perto de tiro de braga. Eu conheço povoa de lanhoso. Pois é lá perto. Pedi a um homem da minha terra que me ensinasse a afinar e a tocar.

Riamo-nos, fiquei entusiasmado com a história. Tanta alegria naqueles fins de tarde, noite, a tocar a trocar a viola para dançar, às vezes até ia para dentro da roda com a harmónica. Mas não só viola, harmónica, concertina, acordeão… toda a noite a dançar, musicar e um pedaço de pão, queijo e vinho verde na malga.

Havia um rapaz, que tocava cavaquinho que o punha a falar, tringlinllingingling, o francisco. É diferente tocar um cavaquinho de uma viola, o cavaquinho tem 6 cordas. Aprendi, e também que a serra está entre a peneda e o gerês.

Tão bom cantar à desgarra, ao desafio, até quando estávamos no campo… andavam 30, 50 kilometros, 13 horas a pé para ir às festas, sempre na paródia, quando víamos já tínhamos chegado… era tanta alegria.

Era só começar a tocar a viola e as moças começavam logo a chegar, riririririririririririririririririririr

Era sangue novo, diz, mas aquele momento de história ainda é tão vivo, com o seu rosto aberto, atrás dos óculos e as suas mãos com os dedos tortos, a revelarem aquele jovem que vibra vida nessa lembrança.

pedro

alexandre no cantinho

sempre com muita atenção

dança lá este passinho

traz a ilda pela mão

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