a revolução dos (es)cravos

é tudo sobre poder, controlo e propriedade! se nos zangamos procuramos um outro poder, assegurado por um outro controlo que garante uma outra propriedade.

identificamos determinada falha num sistema e das duas uma:ou nos prontificamos para substitui-lo por outro (como se os sistemas se criassem a partir de uma fórmula pré-existente mas em miniatura, como a antiga crença de que o espermatozóide seria igual a um corpo humano mas em pequeno) ou fazemos desacontecer o que se aventura a brotar por entre o cimento endurecido. então, uma vez desacontecido, deixa de ser visível e se não é visível não existe (perpetuando o que camões dizia em 1500 sobre ter visto claramente o lume vivo).

fazemos tanta força para não ver os rebentos do acontecer que às vezes até dói nos olhos. o acordeão que estica e encolhe está fixado nos extremos, ou uivamos de alegria ou despedaçamo-nos em lágrimas. pelo “entre” sem fim fica a apatia, a indiferença e a grande vontade de que nada aconteça porque estar vivo exige muita vibração e muitas modelações de vibração.

uns gritam que deveríamos recorrer às armas para acabar com esta repressão e este desnorte infeliz a que portugal chegou, outros   estão tão atolados de miséria e de pavor que atiram o ódio para o vizinho ou cultivam a alienação, e ainda há aqueles que se dedicam cada dia a criar o caminho de outras possibilidades…e somos bastantes desses, mas também aqui gastamos demasiada energia a desacreditar uns e outros e pouca a criar vias que venham mesmo da experiência de praticar-praticando.

atrevermo-nos a viver, a ver-ver.

ainda agora a ana me contava que em espanha cada vez mais se ocupam casarões para o cultivo de hortas comunitárias. entretanto as sementes são aprisionadas, a água privatizada, as crianças fechadas em fábricas para produzir vestidinhos baratos e vistosos.

os simulacros de baudrillard avançam ao rubro. que corpo é  esse que se faz uma capa submersa em códigos de comportamentos convenientes? que corpo é esse que se esqueceu da liberdade?

a escravidão não é a única saída.

mas cuidado,  escravidão é como o lobo…vem vestida de diversas maneiras

sofia

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