Se usares menos a cabeça e mais a imaginação

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Que chatice querer escrever um texto e ficar preso ao ter que escrever… além de tudo não queria chatear com um texto que fala disso… imagina agora ter em 20 minutos já tudo posto em escrito… eu até sei do que quero falar mas não sei como…

Vou imaginar…

Imagina que hoje fui à escola com uma proposta de aula-estudo sobre os diferentes tipos de solos, arenoso, permeável, não permeável… como pensar isso sem abstractizar? Como pensar sem deixar de estar activo em relação à chegado do conteúdo? Como não encaixotar informação? Como gerar um ambiente onde o conhecimento não se dimensiona por idades, hábitos?

Enfim… como???

Confio que não sei nada que possa ensinar de jeito…
Confio que não sou professor de ninguém e que ensinar não é o que venho fazer aqui, se calhar venho cá com essa proposta para aprender, ou para não parar de aprender, para não parar o aprendizado em mim ou no outro ou numa idade que seria imatura em relação à minha…

enfim… como!!!

A pergunta traz por dentro dela a resposta!

O que trago hoje está no como… como posso me relacionar com isso? Mas se eu puder não paralisar no como… e continuar a relação, mesmo que seja estranha…

gerar diferença…

E não é que hoje lá na Escola da Madalena, enquanto estudávamos os solos, e fazíamos uma experiência de colocar diferentes tipos de materiais como terra, pedras, madeiras, farinha, água, conchas dentro de uma caixinha de plástico transparente, me deparei com a vontade de ver pela transparência das paredes da tal caixa as camadas do solo que cada grupo de três miúdos faziam, e quando vi que um dos grupos ia fazendo aquilo de uma maneira que não me deixava encaixar o que via dentro da proposta que fiz, que o que via não correspondia ao que tinha pensado que eles fariam da minha proposta, me aproximei desse grupo e disse: olha, não consigo perceber as camadas que estão a fazer, se calhar era fixe fazerem assim… então fui interrompido pelo David que num ímpeto disse: se tu usares menos a cabeça e mais a imaginação podes ver as nossas camadas…

E assim eu vi a proposta que eu tinha presa em mim, mutar-se, movimentar-se, acontecer para além do que esperava… e não é que pude ver ao fim as camadas do grupo do David! Não sei que cabeça eu usava, nem sei o que imaginação significa para o David, mas agradeço por me ter possibilitado ver outras camadas, perceber que estudar é um movimento irregular, que é surfado por cada um no movimento de descobrir como, e esse como não é conquistado, não é permanente…

viva a capacidade de praticar o aprender sem fim.

Lyncoln

One comment

  1. estou aqui a reler este acontecimento com meu pai. o dia foi complicado, cheguei aqui a casa deles muito apertada e a atmosfera da casa também não está muito fluida, está muito sofrimento no ar…e vamos caminhando ao encontro deste texto…
    este escrito é uma experiência incrível! conhecendo o lyncoln (a sua generosidade, capacidade de escuta, coragem, qualidade de relação…) e conhecendo o david (que ainda há dois anos só embatia em tudo o que encontrava)… este atravessamento através de um ver-não ver, mesmo quando parte de uma tão grande disponibilidade para estar ali é de uma preciosidade maravilhosa….a humildade, a força, a dança de começar e voltar a começar, o feedback-comentário que não é um ataque, o lado-a-lado.
    é muito bonito, obrigada
    sofia e bernardo

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