o luis bué chama-se luis bué

5 e 45 da tarde na taberna da isabelinha, vindos da filosofia na mercearia com a ana luisa às voltas com o liso e o estriado que o guattari e o deleuze fizeram aparecer em escrita “lá onde a visão é próxima, o espaço não é visual,ou antes, o próprio olho tem uma função háptica e não óptica…”(fragmento do livro mille plateaux que abri agora “ao calhas” e que quis saltar para este escrito)

já cá está desde as duas à vossa espera, diz a isabelinha que hoje está muito constipada. mas eu liguei~te a dizer que chegávamos pelas 5 e 45. pois mas o luis veio pr’aí e já não quis sair. no outro dia enganou-se e chegou mais tarde e ficou todo triste.mmmmmm

tenho andado a pensar muito onde é que a festa se faz festa mesmo no acontecer da festa, onde se acordam nos corpos as estrelas da festa, e onde a festa se faz festa porque ontem foi tão linda a festa e queremos que o tempo páre aí onde fomos felizes.

não tem saída. poderíamos interromper as vindas semanais à cruz dos poiais, deixar morrer a esperança do encontro com a festa e talvez começar de novo noutra altura—fácil não é? como se a vida se controlasse através de um botão de regulação de intensidades.

não. não tem saída. continuamos vindo. atravessar a expectativa da festa, acolher a alegria de estar junto, apurar a escuta do que se vai criando no encontro.é difícil. o ano passado descobri o quanto as pessoas têm apetência para a vibração da alegria e o quanto elas estranham a sua força quando a encontram, parece que a tristeza está mais acessível no dia a dia.

quando o corpo já foi secando tanto de tremer na alegria, esses momentos assumem uma importância vital. como nutrir a confiança de que és tu próprio que abres essa porta, que o acorde criado com outras ” trepidações alegres” amplia isso que tu já vais sendo sempre, mas que eventualmente te esqueces de ouvir. não sei, não sei. caminhando, talvez…

às tantas, pelo meio do silêncio de estar a ver que não queremos fazer um “decalque” da festa, que essa festa tão desejada tem que encontrar a cada momento o movimento que a potencia, a festa fez-se matéria, veio o da viola, cantámos e dançámos….mas também pausámos e conversámos…também veio o nada…e o luis bué, que se chama mesmo luis bué, até no cartão de cidadão, que brilha enquanto dança e ri, que diz que não acha nada a vida “bué de fixe” e que se irrita por todos lhe dizerem essa gracinha…o luis estava apreensivo às tantas…não achas que hoje isto está menos animado? sim? sim, que há menos festa hoje…eu vejo as pessoas a conversarem calmamente, vejo amizade, não podia ser uma festa mais linda para mim. amizade?

quando vinhamos descendo a cruz dos poiais pareceu-me ver esse percurso entre rasgar e acontecer. mais uma vez uma questão de afinação, mas é mesmo difícil escutar a tonalidade ajustada pelo meio de tanto barulho.

ver por entre sem fixar o entre

sofia

IMG_0418

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: