abrir a porta aberta

a rota de sexta dedicou um tempo frente ao centro de acolhimento temporário para crianças e jovens ali na rua da boavista. desde o ano passado que temos vindo a conversar com as pessoas do centro para começarmos a caminhar juntos com quem tiver essa vontade. não tem sido fácil abrir a porta a esse encontro embora a porta esteja sempre aberta e exista muita disponibilidade nossa e deles———–mas por entupimentos vários que teimam em concretizar-se no trabalho complexo que eles realizam ali dia a pós dia, ainda não tínhamos tido a oportunidade de estar um bocado de tempo juntos a saborear o vaivém que reconfigura esse tal “nós” e esse tal “eles”.

finalmente entre a rota e o ajuntamento abriu-se a porta aberta!

a maioria de nós tinha estado todo o dia a caminhar entre o intendente e o mercado da ribeira-cruz dos poiais, outros tinham passado o seu tempo na gulbenkian para a apresentação de um programa para apoio de ongs portuguesas, o “cidadania ativa”———universos muito diferentes onde aparece clara a distinção entre quem fala das coisas e quem as atravessa, o corpo é muito descarado nessas evidências———-

e lá nos ajuntamos numa salinha pequenina que se foi enchendo de grandes e pequenos numa ambiência tão divertida que acabámos por nos atrasar a chegar ao café do joão.

delicadeza, amor, surpresa, juventude, força, confiança, desassossego

sabemos que vai ser um caminho com muitos buracos, uma renda com espaços abertos e outros fechados———-sabemos que somos muito diferentes, que estão ali pessoas que sofrem muito e que não têm a prática de gostar de si próprias, sabemos que não podemos trazer nada de mais precioso que aquilo que as pessoas que lá trabalham cada dia vão fazendo possível——-mas na minha falta de cuidado, no temporal que continuo a ser, quero mesmo trazer a boa nova dos risos e das possibilidades de criação que ali apareceram. não me contenho de alegria!

entre a vontade de fazer rádio, de fotografar, de não fazer nada, de gravar música, de não fazer nada que são adolescentes, de praticar karaté e muai tay para se defender na rua, de fazer hip-hop, de não fazer hip-hop, de fazer teatro, de faltar ao teatro, de não fazer nada que não me interessa nada, de jogar futebol, de filmar, dou comigo espantada com uma revoada que atravessou a salinha: eu gosto de cozinhar! eu também gosto de cozinhar!

cozinhar

mas olha que não temos que ter coisas para fazermos juntos, o nosso convite é irmos andando e logo se vai vendo o que aparece. eu faço um bolo de iogurte muita bom. podíamos encontrar-nos com os outros que estão em colónia de férias numa sexta feira ao fim do dia! assim podem estar aqueles que chegam mais tarde da escola, mais aqueles que ao fim de semana se vão embora, mais aqueles que ficam sempre aqui.

está marcado! grande festa com jantarinho de grelhar febras no quintal, com música e mais o que aparecer. não é esta sexta que vem, que é santa, a outra! está marcado sim!

vamos!

obrigada, sofia

 

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