a escova de dentes que salta da mochila para actuar

a aurora à nossa espera e à espera do lanche, com o sono do sr. Manuel que nos olha no seu silêncio acompanhante e o sr. Alexandre de cantinho faz diagonal com a milu no outro lado da sala. A amélia em pensamento e vamo-nos espalhando em beijinhos e carinhos. Não estou ali para dinamizar um grupo de pessoas que esperam nem esperar por um número volumoso de gente que justifique a minha presença. Estou em estar com quem lá está e com quem lá vai. Não canto para, nem revindico um espaço de tempo e de espaço, quando começamos a cantar e a desviar a grande mesa redonda. não vou curar nem ocupar o tempo. Estou lá na vontade de viver e aprender da vida, movimentar-me com as pessoas que transitam de um lado para o outro. Não sou carinhoso por isto o por aquilo, acontece ser carinhoso, cantadeiro, dançarino, teatreiro. Não quero mostrar as minhas habilidades de terapeuta. A televisão pode estar ligada, o que tenho a dizer digo ao ouvido deste ou daquele, falo alto para o outro lado da sala, para o corredor. Surge o que surge e tem força para surgir, aquilo que se abre e que a vida suporta vivo de ser.

Tenho esta e aquelas dores, a renda está alta, tenho muitos anos, não sei ler, não me consigo levantar, agora não… vá agora sim, como dá, como pode… esta minha mão para a semana vai ver… vamos brincar como quando eramos crianças… mas eu não sei como eras quando eras criança… vamos lá que eu e tu brincávamos assim… bate nas minhas mãos trálálálálá…

a escova de dentes apaixonada pelo malmequer vermelho vai penteando os cabelos das senhoras da televisão e cantando, chapéu iris abre-se, a susana vira vento… agora é o lanche…venham mais cedo para a próxima, agarro na Fernanda ao colo e levo-a ao sr. Manuel que dorme… vamos lanchar! Será que não posso levantar na Fernanda, olha lá o estatuto, é uma funcionária. Mas aconteceu sem julgar, com um abraço e zunga lá estava a Fernanda a falar com o sr. Manuel. Até para a semana, e lá vão… beijo na mão e espalho um até pela sala das refeições e todos de boca cheia e alegres levantam as mãos e enviem beijinhos. A amélia quer trazer uma chávena muito grande, do tamanho de um dedal… gosto muito de chávenas… então para a semana trago essa chávena…

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pedro

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