As uvas-pique e o Exossaurus

Hoje na escola da madalena fomos nos aventurar por florestas, relvados, animais selvagens e alguns mais meiguinhos… um pinguim e um leão na mesma selva, um tal de pangolim indiano no mesmo habitat que um pavão e um tubarão… as redondezas dessas paisagens iam se criando a medida que os bichos que chamávamos se aproximavam um dos outros… e como poderiam viver três leões e um cavalo marinho juntos? Não se sabe, e se nunca viste antes uma floresta assim isso não é problema nem impeditivo…

E o que interessa é avançar e confiar que posso acessar para além do que está escrito enquanto leio… cadeias alimentares… carnívoros… insectos… voar…

E assim nasceram lá as uvas-pique, que dão em ramas encarrilhadas no hemisfério norte, África e Europa e em poucos lugares dos Estados Unidos da América… uvas tais que são alimentos para o Exossaurus, animal mamífero, que habita as terras, os mares e os ares, voa alto com penas longas, na verdade o David descobriu que se trata de um fóssil vivo, resistente de anos e anos de evolução, e que essa sobrevivência só foi possível ao seu reservatório umbilical em forma de concha espiralada, que tanto resfria igual a um frigorífico ou aquece como um micro-ondas as suas refeições… também é especializado em ver no escuro pela sua visão de raio laser…  tu sabias disto? Pois nem o David sabia antes de abrir a boca e ir falando. E aos poucos abre-se brechas naquilo que tenho que aprender por compromissos de saber responder perguntas que se fazem quando sou aluno de escola primária, vamos treinando olhar para os conteúdos com olhos que não se esquecem de vaguear, passear, distrair, focar-desfocar, vou praticando ver o que vejo nos mais diversos lugares, mesmo onde parece que não faz nenhum sentido, mesmo fora das margens do que tenho que aprender na aula de hoje… aprendo com o David que não sabe o que vai falar antes de abrir a boca, e não teme em continuar falando tudo o que ele pode sobre o Exossaurus, na ousadia de acreditar que também há outra formas de estudar, de falar sobre aquilo que vejo… se pudéssemos íamos avançando por aí, inventando, brincando, criando sem perder o tónus de continuar a perguntar mesmo quando já nos apresentam todas as respostas que teríamos de saber responder. Brinco de continuar a ver, mesmo quando me aproximo de um conteúdo e as formas parecem tão nítidas que já poderia não ver mais nada, a nitidez não precisa ser indicador de paragem. Não crio limites enquanto aproximo o olhar, e é sempre possível continuar a aproximar-se.

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Lyncoln

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