assim não dá!

dia 2 temos manifestação:

dizem que manifestar é tornar visível,
eu não tenho que obedecer a códigos para ter um gesto. não tenho que pertencer a isto ou àquilo para expressar a minha opinião. manifesto-me manifestando que estou viva
a liberdade é esse exercício de fazer acontecer o que se faz pertinente no momento, sem esperar que chegue o momento ou o lugar oportuno! o lugar e o momento criam-se na própria vibração da liberdade!canta,canta.
se  estamos em queda vertiginosa temos que aceitar que basta! basta de delegar a própria responsabilidade em qualquer outro, também cada umaum de nós terá que fazer aparecer o rumo deste barco
se os agricultores não têm possibilidades de vender o que produzem—se não se preza o tempo do cultivo e se não conseguimos esperar que o cereal cresça, a fruta amadureça, a roupa seque. se obrigamos os queijos a sujeitarem-se às luvas e os condenamos ao desaparecimento porque precisam desesperadamente do quentinho de uma mão—se se enche de burocracias absurdas a relação entre as pessoas e as preciosidades que fomos criando nesta terra (as tranças de alho roxo, os raminhos de oregãos,as caixas de cerejas do fundão, os churros, o pão caseiro, as queijadas, as azeitonas)—se se impõem máquinas de faturação indiscriminadamente para festas e romarias e lugares e tascas como se sempre se tratassem de grandes superfícies anónimas, se se aumentam as rendas e os impostos, se os restaurantes fecham, se as pessoas que trabalharam uma vida inteira têm que vir viver para a rua, se as escolas onde os mais novos passam tanto tempo se desmantelam e desumanizam, se se governa um país como se não existissem pessoas, se não conseguimos ver através da cortina de desgraça que nos pintam e que em grande parte não criámos….se olhamos para os países próximos e longe e só falamos da miséria…. se calhar há que começar a ver que também há música, também existem caminhadas, também existem hortas em lugares improváveis, também as pessoas se juntam para pensar-agir, também às vezes rimos e nos sentimos cheios de amor, e que a força que temos de estar vivos não pode ser apagada!
E de repente ouvimos alguém dizer: Meu Deus, ajudai-nos a amar o invisível!
E é esse invisível que afinal é muito importante, que é o que nos une, que é o que nos responsabiliza de deixar de delegar nos outros aquilo que queremos fazer. Esse invisível também não pode ser taxado, não é passível de factura e leva-me a querer caminhar, a escutar os outros, e a perceber que por muito que queiram não me vão quebrar e vou continuar a rir, a cantar, a gritar, a chorar, a amar estar viva e amar estar com.
E manifestar-me é o quê se não o amor que pomos nesse invisível? 
na rua ou em casa estarei pulsando que assim não dá,basta!que já comecei meu caminho cada dia e que não vou por aí.DSCF1183
escrito a 6 mãos e muitos mais pensares

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