isto sim mas isto não

Estava a limpar o cacto catarina, enquanto limpava com cuidado para não me picar, um pico entra à superfície da pele. Quantas vezes não penso, se não tivesse picos é que era, não me picava… mas então não era a catarina era outro ser. A especificidade da catarina é dentro de muitas coisas ter picos. O meu gato é mais pequeno que eu, mas isso não significa que possa empurrar a cadeira com ele lá em cima por ser-me fácil, acho que não gostaria que me empurrassem a minha cadeira enquanto estou sentado, a menos que fosse uma brincadeira no encontro. Ouvi nesta semana que no concilio de trento, discutiram se a mulher tinha alma ou não, se estariam na mesma condição que um animal perante essa comunidade. Em 2013, as pessoas são todas vistas como do reino animal, e discute-se se a homossexualidade é uma possibilidade ou algo a privar de. Já há um país, ou outras comunidades onde decidiram que todos os seres vivos têm direitos igualitários a um ser humano.

SER!

O meu computador persiste em ser, qualquer coisa, que no encontro com ele escrevo, vou à internet, e ele na sua forma de ser agiliza-se nesta dança de movimentos que vão sendo, criando este texto, luz, calor, resistência, acontecer. Tento considera-lo, uma vez que é portátil, posso andar com ele de um lado para o outro, mas perceber que o disco rígido cada vez que o mexo talvez não ache muita piada a solavancos. A minha coluna é uma constelação de vertebras, fluidos, minerais, pertence à constelação do corpo que vou sendo, e do corpo acontecimento que vai sendo, é. Ouvindo-a, respeitando o seu ser coluna, vou movimentando-me estando o movimento acontecimento acompanhar todo o movimento coluna, quando há um crispar na coluna, parece-me haver um bloqueamento de movimento, talvez não foi considerada na sua especificidade de movimento.

Cada um, anima, não-anima, invisível, visível, é especial no movimento que reverbera. Naturalmente não vejo todos os movimentos, mas abro a consideração da sua existência.

Quando falo em direitos e deveres, abro em mim a possibilidade do respeito a qualquer SER que na sua potência de ser-vivo, mesmo não-anima, aberto ao movimento da vida, possibilita o acontecer acompanhado por todas as especialidades da existência que vai sendo, não impossibilitando o movimento, mas abrir-me ao respeito do universo que cada um é no universo que cada um está, considerando-se, considerando. Tantas vezes me vejo a não considerar, mas sempre se pode continuar a começar. Obrigado

pedro

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