autonomia-suporte

No outro dia eu e o lyncoln fomos fazer o “corpo na escola” com 3 turmas diferentes (7º,8º e 9º ano) em Ródão, a pergunta é sempre sobre integrar conteúdos curriculares criando conhecimento a partir do corpo, o primeiro trazia “como se criou apareceu o nosso planeta” o segundo “o que são para mim redes de sistemas, ecologias?” o terceiro “como é que os sistemas do corpo se interligam”…cada vez mais me parece urgente largar esta urgência miserável de acumular informação! Por muito piroso que possa parecer sinto que o que nós praticámos lá foi amor. Aqui vai uma “conversa” que esteve na atmosfera de cada aula:

Estás a ver um baloiço? às vezes chega mesmo tão alto que parece que estou a voar, é uma sensação incrível! mas se eu segurar o baloiço nesse lugar mais alto, se o parar ali, por muito que a vista seja muito entusiasmante o baloiço deixou de baloiçar. Já não é um baloiço, é um lugar fixado….parece-me que viver é parecido com andar de baloiço. Quando encontramos uma sensação muito entusiasmante, um lugar de que gostamos muito, uma pessoa muito nossa amiga, tendemos a fixá-la, a imobilizá-la, para ter a certeza de que ela permanece sempre connosco…só que a sensação é movimento e parada não se expressa, o lugar está em permanente transformação e aquilo que ontem parecia assim hoje pode parecer de outra maneira e a pessoa que é mesmo nossa amiga também não se comporta como um robot previsível e não é por isso que deixa de partilhar amizade…

De um lado do baloiço parece-me ver aquele orgulho de fazer tudo sozinho, de não precisar de ninguém, de ser “auto-suficiente”, de nunca precisar de ajuda, de outro lado do baloiço encontro a vontade de apoiar o outro, de carregar os males daquele, de o deixar apoiar-se em mim…mas aí também sem me construir a mim próprio, como se o suporte que disponibilizo fizesse de mim um escravo sem poesia, sem capacidade de criar, sem uma vida autónoma.

Autonomia e suporte são movimentos do mesmo baloiço, não pode haver autonomia sem relação, sem aceitar o suporte, sem escutar outros movimentos na sua ligação com os nossos, não pode haver suporte sem uma profunda consideração e respeito por si próprio.

Às vezes mais para lá outras vezes mais para cá, o baloiço da vida vai-nos contando histórias de suporte que é autonomia e autonomia que é suporte. Um enquanto o outro, o outro enquanto um, vão criando a existência de cada uma e de cada um por entre tantos outros “baloiçamentos”

sofia

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