a pergunta

não quero falar palavras que venham explicar coisas e por legendas em memórias que passam a ser as legendas e deixam de ser as experiências         sei que isso vai acontecer na mesma           quer eu queira ou não queira            sei que o facto de eu convocar esse não querer arrumar em nomes a experiência do pátio em lugares de representação vai trazer esses nomes já ligeirinhos,    convidá-los a colarem-se pegajosamente em cada momento            só insisto que estou a ver isso a acontecer            e que enquanto puder exigir essa afinação de mim continuarei a ver                que esse ver não me imobiliza       embora muitas vezes me traga a incapacidade de gesto, a mudez (que não é o silêncio)     não me impossibilita de gerar a pergunta       e essa geração da pergunta tonifica o gesto quando ele aparece límpido, permite-me estar com o gesto quando ele aparece deformado e acompanha-me na solidão da mudez quando o gesto não pode atravessar e fazer-se visível embora nunca deixe de se afinar na pergunta

é uma grande coragem      estar                    estar aqui         estar aqui assim                mesmo sabendo que o aqui e o assim não têm formas fixas      que não tenho onde descansar ou proteger-me da força de existir             que há aquis e assins que me desfazem     que me matam       que eu continuo a confiar que morrendo vivo também

não me submeto

não sobrevivo

não finjo que não vejo

existo

não desisto        existo

e não existo isolada

existo mais-que-um

 

sofias

a foto de entrada é dos pedros

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