veres-te a ver

Constatado que acompanhar-me no que estou a ser é uma acção que faço com cada vez mais implicação… mesmo na fisicalidade de quem aprende a corporalidade de uma acção como aprender a tocar um instrumento, ou na especificidade de quem limpa a casa com amor e sabe que a sujidade é também uma pergunta que se pega às coisas… quanto mais caminho a direito mais me aparece a sensação de circular… quanto mais constato que o universo é só um, mais me permito considerar as camadas onde me encontro e como elas ressoam e me transmitem o feedback de mim própria e reverberam nas outras, na tal unicidade do universo que sempre esteve lá.

Ontem apareceu-me a constatação da mudez com outra clareza… há tempos chamei-lhe a testemunha silenciosa, que não era por não poder falar, mas era porque não está na sua natureza falar… ontem atravessei que se calhar era o confronto da sua natureza faladora com a fala do mundo que a remetia para o silêncio… é precisamente porque fala que é silenciosa, não porque aquele que vê não tenha voz para falar, mas é na confrontação do disforme, no atravessar das desconformidades das naturezas do universo que é só um, que essa testemunha reverbera silêncio… é porque fala e vê-se a ver falando que percebe no mesmo momento que não fala, não fala na camada da fala… não fala ainda, talvez… mas atravessa.

margaridaIMGP0413

 

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