EntreLigaCidadeMento

Ligar…ligar o quê ? Tecer movimento entre lugares e pessoas que de alguma forma convidam relação…já somos ligação, pela própria natureza da vida, seja la ela qual for

 

Os ligamentos ensinam-me o que poderá ser uma integridade da Sara

não é uma matéria isolada, nem sem tonus

faz-se em movimentos espirais, vais e vens que resistem, acompanham, dão viscosidade

não é para romper

é para estar lá a tecer

ligar aparece então também como uma solidariedade própria da respiração da célula

há uma resistência que não quer romper, mas que rearranja em permanência suas fibras, e que banha numa substância fundamental, que é vasta e generosa. Que não exclui

 

Claro que pode rasgar, romper, explodir…quais são os limites ? O que se retraça quando parte ? Talvez então seja bom ouvir a partir de tecidos mais profundos ! Mais subterrâneos, mais invisíveis, mais talvez magmas com conhecimentos e existências muito sabias, de serem há muito tempo

 

Mas não me parece que o princípio activo dos ligamentos seja romper, partir !

 

No meu corpo resistir surge agora não como um obstáculo, mas como mais uma possibilidade de escolher um outro caminho da malha. Porque sinto isso claramente como um ptotencial de mudança, de um outro desenho de mim que também sou eu.

 

Ha muito que sinto em Montpellier algo que diria agora ser uma cidade sem substância fundamental e sem princípio activo (uma coisa que tenho ouvido a Margarida ecoar…) ! Onde estabelecemos ligações e relações mais profundas num lugar assim ? Não sei. Mas foi com a Praça de Plan Cabanes em Montpellier que vibrei o bater do coração da resistência dum espaço público que ainda consegue ligar! Há quantos anos esses senhores, crianças e mulheres ficam sentados nas bordas dessa praça ? Há quantos anos o Largo de São Domingos fica ali sendo pátio ? Quantas vezes estive lá , sentada, a estar, mexer-me, dançar de olhos fechados, ficar so lá a no meio, ler, conversar, só para poder Ser quem sou ?! Quantos momentos e movimentos faz o ligamento permitir e para ser ele também parte da relação osso-músculo-fascia-orgãos-corpo ? Acho que ele já perdeu a conta e nunca se cansa, e lá que lá está, está !!!

 

Hoje vou lá em Plan Cabanes. Com este corpo com que acordei cheio de fibras que se densificam e expandem, guardando sua integridade e sua conversa com o todo ! É mais uma vez uma forma de amor !

 

O que sinto ao ler pedaços do texto sobre as masculinidades nómadas, é que esse nomadismo é de facto um espaço de resistênncia nem só líquido, nem só colagénio, mas abre, amplia, desmultiplica, desloca, contagia, propaga, permite o abraço de outras coisas, seres, desenhos, esboços, deixa aparecer o que se vai criando, e reforça o potencial da ligação aí. Parece-me um outro tempo, que não é de cronologias, mas um tempo fora da contagem, o tempo do tempo de.

 

Estou muito feliz de atravessar todas estas revoluções com todos vós ! E é a partir deste lugar que com certeza terá ainda muitas outras cores, que quero ir olhar por dentro da questão da discriminação do Outro, e do que acontece entre europeus e africanos, seja la o que isso for, quando nos seus próprios seres-corpos o que vibra é mesmo solidariedade entre as substâncias fundamentais. Talvez não saibamos, mas nossos corpos não são racistas, não são sexistas, não são xenófobos, … mas ainda assim praticam essa forma estúpida de não se ser o que se é magmamente.

Beber o chá, chuveiro e rua !

Beijos e amor !

Sara

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