mole e peganhoso é não ver a diferença das coisas iguais

não há potências más…o que é mau é o mais baixo grau da potência… e o mais baixo grau da potência é o poder… a maldade é impedir a potência…a confusão entre poder e potência é arruinante porque o poder separa sempre os submissos daquilo que podem. isto diz deleuze em conversa com claire parnet em 1988.

sinto afinidade com esta distinção que ele faz e sinto-a muito urgente hoje, mas se eu emoldurar o que ele diz, se fizer disso um norte para o meu caminho, se não me movo com isso, se não me pergunto cada dia onde o que ele diz é inventado por mim, se não escuto o surgimento dos pensamentos que com certeza não se configuram numa ou noutra trepidação mas no encontro de movimentos, começa a aparecer uma nuvem de moleza pegajosa que impossibilita a vida. é mesmo forte esse manto de moleza que invade o acontecimento e que tendemos a confundir com “seriedade” ou com “profundidade”

criar não é uma produção de coisas que passam a ter determinada forma fixa e intocável. essa angústia por ter descanso de existir, por nos salvarmos da deformação permanente é muito imobilizante. estar cansado de pensar, cansado de ser, cansado de errar só me parece acontecer se não pensares, não fores ou não errares.

andré tem agora 15 anos e sai de um teste de filosofia irritado porque na filosofia não se pensa, não se discute, antes repete-se o que  outros disseram e é-se avaliado pela quantidade de coisas que consegues repetir que outros disseram. fica furioso e põe-se a lutar pela sala em movimentos muito precisos, muito focados, os gestos têm uma definição incrível, as palavras também, naquele turbilhão que ele vai sendo enquanto atravessa o que atravessa a clareza faz-se pela ginástica de praticar pensar, de praticar inventar gestos, ali não há moleza pegajosa, há conflito, há desassossego, há amor, há rigor, há erro, mas lá vontade de deixar de existir, de se submeter a uma sobrevida sem movimento, não há não…

pois

se estás vivo é bastante impossivel que o teu acontecer se emoldure para tu poderes parar um bocado e julgares-te desde fora…não tem fora e não tem parar

o silencio vibra no interior do movimento

a alegria irrompe

a vibração desarmadilha a potência

sofia

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